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Pré-História

Em 1977, procurando informações sobre as origens da cidade onde nasceu, Bernardo deparou-se com o trabalho do paleontólogo dinamarquês Peter W. Lund, que havia descoberto, em 1839, nas grutas calcárias da região de Lagoa Santa, 30 km ao norte de Belo Horizonte

Região Sudeste

Lapa da Cerca Grande-Matosinhos-MG

Nas paredes da gruta Cerca Grande o fotógrafo se maravilhou com as pinturas rupestres do Rochedo dos Índios. Foi neste local que ele primeiro viu a herança legada pelos ancestrais. Estava irremediavelmente picado pela curiosidade a respeito desses sinais, gravuras, desenhos, pinturas e inscrições rupestres. Daí nasceu a motivação para a produção do audiovisual “Eco das Grutas”, em parceria com o poeta René Zeferino, num roteiro que colocava em comparação as condições de vida na cidade de Belo Horizonte e o habitat dos homens pré-históricos.

Lapa Vermelha-Minas Gerais

Esta gruta localizada na região de Lagoa Santa foi estudada por Lund, que nela encontrou muitos fósseis do homem pré-histórico. Dilapidada pela mineração de calcário, dela restam poucos vestígios. Fazendo-se passar por um professor universitário, Bernardo conseguiu fotografar sua destruição, documentada no áudio-visual “Eco das Grutas”.

Cavernas do Peruaçu

O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu é um local onde talvez esteja o mais belo sítio arqueológico com pinturas rupestres do Brasil. Sítios milenares de importância internacional e suas cavernas de grandeza colossal. Paredões enormes com pinturas se superpondo, onde até o azul, pigmento raro nessas condições, aparece; cenas antropomórficas e animais se misturam.

Itapeva-São Paulo

Na Fazenda Água Limpa, ao sul do Estado de São Paulo, uma equipe da Universidade de São Paulo estudou este sítio arqueológico que se encontra semidestruído e abandonado. A pesquisa indicava vagamente a existência de inscrições.  Bernardo lá encontrou pinturas escavadas nos sulcos do paredão, como se fossem gravuras pintadas.

 

Região Sul

Ilha dos Corais-Santa Catarina

No litoral de Santa Catarina Bernardo fotografou um dos mais belos acervos naturais que já teve diante dos olhos. Na pequena Ilha dos Corais mora um velho solitário e suas cabras selvagens, avesso a visitantes. Devido à dificuldade de acesso, as inscrições estão intactas e limpas, lavadas pela espuma do mar na maré alta. Os arqueólogos não se interessam por esse tipo de inscrição pois a inexistência de sedimentos impede a classificação científica.

Florianópolis e a Ilha do Campeche-SC

A Ilha do Campeche foi tombada pelo IPHAN como Patrimônio Arqueológico e Paisagístico Nacional, em junho de 2.000. Ela está localizada na costa leste do município de Florianópolis e abriga representativa parcela do Patrimônio Arqueológico do Estado de Santa Catarina. No costão da Praia da Joaquina e no Costão do Santinho existem importantes sítios arqueológicos de cerca de 4 mil anos, onde foram encontrados esparsas conchas, carvão vegetal, machados de pedra polida, batedores, alisadores e ossadas humanas. Bernardo esteve lá nos anos 80.

 

Região Nordeste

Pedra do Ingá-Paraíba

As itacoatiaras (pedra gravada em Tupi) do Ingá de Bacamarrtes, são conhecidas no Brasil desde o final do século XVII. O manuscrito anônimo “Diálogos das grandezas do Brasil” nos dá notícia da descoberta, nos sertões da Paraíba, da famosa Pedra do Ingá, que passa então a ser menção obrigatória nos mapas da época. Inúmeros viajantes, cientistas, clérigos e aventureiros registraram estas inscrições em seus livros e mesmo em gravuras, como Jean Baptiste Debret. A questão da interpretação das inscrições é sempre polêmica. Houve quem percebesse nas escritas da Pedra do Ingá elementos da língua fenícia.

Gruta do Cosmos-Bahia

A perfeição da arte rupestre nesta gruta localizada no sertão do Estado da Bahia impressionou o fotógrafo. Praticamente uma toca escavada abaixo do nível do chão, ela contém elementos que sugerem um observatório astronômico: dezenas de estrelas, sóis e um belíssimo cometa pintado no teto. Localizada com exatidão num ponto de onde se pode ter uma visão geral do conjunto das pinturas está uma exuberante mandala com mais de 1 metro de diâmetro, tratada com tanto esmero que sugere ter demandado longo tempo em sua execução.

Pedra Furada-Piauí

700 km ao sul de Teresina, capital do Estado do Piauí, fica o sítio arqueológico mais antigo do Brasil. Datações recentes indicam a presença humana na região há 45 mil anos. O número de pinturas rupestres encontradas por uma equipe franco-brasileira supera as de toda a Europa. Com 50 metros de altura, o paredão onde se encontram as pinturas é realmente imponente. Centenas de pinturas estão em perfeito estado devido ao clima muito seco e à dificuldade de acesso. Lá foi criado o Parque Nacional da Serra da Capivara.

Sertão do Seridó-Rio Grande do Norte

No Abrigo Casa Santa, sertão do Estado do Rio Grande do Norte, um grande painel central mostra a epopeia de um povo: cenas rituais, de caça e até referências à agricultura e ao nomadismo. O fotógrafo enxergou ali signos da mitologia. Para ele, quando se vê um cervo desenhado na pedra, significa não apenas o animal, mas a representação de um clã, como personagens antropomórficos das narrativas mitológicas.

 

Região Norte

Parque Nacional do Jaú-AM

Em 2018 Bernardo Magalhães subiu o Rio Negro em direção às Serras Guerreiras de Tapuruquara, entre as cidades de Santa Isabel e São Gabriel da Cachoeira, na Amazônia brasileira. Aí, na foz do rio Jaú, foram identificados vários sítios arqueológicos e inscrições em pedras. O Parque Nacional do Jaú está assentado sobre formações geológicas de 100 a 500 milhões de anos, bem como formações geologicamente mais recentes, cerca de dois a seis milhões de anos, abrigando relíquias da história da ocupação humana na região. Dois portfólios fotográficos foram editados em 2019, em cor e preto e branco.